Se você investe em anúncios pagos — no Google, no Instagram, no Facebook — este artigo é para você. Não para o seu gestor de tráfego. Para você, que assina o boleto no final do mês e quer saber se o dinheiro está sendo bem gasto.
Em 2026, duas coisas mudaram e merecem a sua atenção: as plataformas ficaram mais automatizadas (o que é bom e ruim ao mesmo tempo) e anunciar no Meta ficou mais caro por causa de impostos. Vamos explicar tudo isso em linguagem simples.
Rapidinha (TL;DR): Google é melhor para quem já quer comprar. Meta é melhor para quem ainda não sabe que precisa do seu produto. Em 2026, o Meta ficou 12,15% mais caro no Brasil por causa de impostos. O Google manteve o preço. Saber disso pode mudar como você divide sua verba.
O que mudou nas plataformas de anúncios em 2026?
A principal mudança é simples de entender: as plataformas estão fazendo cada vez mais coisas sozinhas. Antes, um gestor de tráfego definia manualmente onde o anúncio aparecia, para quem e quanto pagar por cada clique. Hoje, você dá o objetivo (“quero vendas”) e a plataforma decide o resto.
Isso tem um lado bom: campanhas automatizadas tendem a encontrar clientes com mais eficiência. E um lado ruim: você perde parte do controle e precisa confiar mais nos dados que fornece para a plataforma — principalmente as imagens, os vídeos e os textos dos seus anúncios.
No Google, o formato chamado Performance Max — que é basicamente essa campanha automática — já é usado por 7 em cada 10 anunciantes. No Meta, o equivalente se chama Advantage+, e os resultados mostram que as conversões subiram quase 100% com custo menor por venda.
O que isso significa para você? Que a qualidade do seu anúncio (a imagem, o vídeo, o texto) importa mais do que nunca. A plataforma faz a distribuição. Você precisa entregar o conteúdo certo.
Google Ads ou Meta Ads: qual é a diferença real?
Essa é a pergunta que mais ouvimos de donos de negócio. A resposta mais honesta é: depende do momento em que o seu cliente está.
Pense assim: quando alguém digita “dentista de emergência perto de mim” no Google, essa pessoa já quer resolver o problema agora. O Google captura esse momento. É o canal ideal para quem vende algo que as pessoas buscam ativamente — serviços, produtos conhecidos, soluções para problemas claros.
Já o Meta (Instagram e Facebook) funciona diferente. As pessoas estão rolando o feed, sem intenção de comprar nada. Você interrompe esse momento com um anúncio. O Meta é o canal da descoberta — ótimo para apresentar um produto novo, gerar interesse em algo que as pessoas ainda não sabiam que queriam, ou manter sua marca na memória de quem já visitou seu site.
Por isso, a resposta raramente é “Google ou Meta”. Quase sempre é “Google e Meta”, com papéis diferentes. Aqui na Atacama Digital, testamos isso na prática em mais de 12 contas de e-commerce ao longo de 2025: contas com ticket acima de R$ 200 performaram melhor com mais Google (busca com intenção de compra). Abaixo de R$ 200, o Meta gerou mais volume com custo menor. Não existe proporção universal — o ideal é testar e ajustar.

Tem um imposto novo que está encarecendo seus anúncios no Meta
Esse é o ponto que mais surpreende os empresários quando apresentamos. Desde janeiro de 2026, a Meta passou a repassar PIS/COFINS e ISS para os anunciantes brasileiros. Na prática, isso significa que cada R$ 1.000 que você investe no Meta, a fatura chega R$ 1.138. Um acréscimo de 12,15%.
O Google, por enquanto, ainda absorve esses tributos e mantém o preço inalterado. Ou seja, os mesmos R$ 1.000 investidos no Google continuam custando R$ 1.000.
Para quem investe R$ 10 mil por mês em anúncios, essa diferença representa R$ 1.215 a mais por mês no Meta — ou seja, quase R$ 15 mil por ano que vão para imposto, não para alcançar clientes.
Mas há um detalhe importante que depende do regime tributário da sua empresa:
- Simples Nacional: você paga os 12,15% cheios, sem nenhum crédito ou recuperação.
- Lucro Presumido: mesma situação — arca com o valor total.
- Lucro Real: consegue recuperar 9,25% como crédito tributário. O impacto real fica em cerca de 2,9% — só o ISS.
É importante saber que essa diferença entre Google e Meta pode não ser permanente. O Google sinalizou que absorve os tributos “por enquanto”, sem compromisso de longo prazo. Por isso, a recomendação é continuar planejando para os dois canais, sem migrar toda a verba para o Google baseado só nisso.
2026 tem dois eventos que vão encarecer os anúncios: Copa do Mundo e Eleições
Copa do Mundo e Eleições Presidenciais no mesmo ano. Para quem anuncia, isso tem um impacto direto: o custo dos anúncios tende a subir entre 20% e 40% no segundo semestre.
O motivo é simples. Grandes empresas, campanhas políticas e patrocinadores disputam o mesmo espaço publicitário. A oferta de espaço não muda, mas a demanda explode — e o preço sobe junto.
O que fazer? Se você tem orçamento para antecipar investimento, o melhor momento para rodar campanhas de awareness (apresentar sua marca) e captação de leads é agora, no primeiro semestre. Quem esperar até Q3/Q4 vai pagar mais pelo mesmo resultado.
Como dividir sua verba entre Google e Meta?
Não existe uma fórmula perfeita, mas existe uma lógica que funciona bem para a maioria das PMEs:
- Use o Google para capturar quem já está buscando o que você vende. Se alguém digita o nome do seu produto ou serviço, você precisa aparecer.
- Use o Meta para alcançar quem ainda não te conhece ou para reativar quem visitou seu site mas não comprou.
- Use vídeos curtos (YouTube Shorts e Reels) para construir marca com custo menor — ainda é um formato subprecificado, ou seja, você paga menos para ser visto.
Um ponto importante: se o seu produto é algo que as pessoas já conhecem e buscam, o Google deve ser prioridade. Se é um produto novo, diferente, ou que exige explicação, o Meta faz mais sentido no início — porque ninguém busca algo que não sabe que existe.
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Perguntas frequentes
Preciso entender de tráfego pago para anunciar?
Não. Você precisa entender do seu negócio — quem é seu cliente, qual problema você resolve, quanto vale uma venda para você. O gestor de tráfego cuida da parte técnica. Mas quanto mais você souber sobre esses fundamentos, melhor vai ser a parceria com quem gerencia suas campanhas.
Meta ficou mais caro. Devo parar de anunciar lá?
Não necessariamente. O Meta ainda tem CPMs (custo por mil visualizações) muito competitivos no Brasil comparado ao resto do mundo. O imposto encarece, mas a plataforma ainda entrega bom retorno — especialmente para quem faz remarketing (impactar quem já visitou seu site) e trabalha bem com vídeos curtos.
O que é Performance Max e preciso me preocupar com isso?
É o nome do formato de campanha automática do Google. Na prática, você define o objetivo (venda, cadastro, visita à loja) e o Google decide onde e para quem mostrar o anúncio. Você não precisa entender os detalhes técnicos — mas precisa garantir que sua campanha tenha boas imagens, bons textos e que o site para onde o anúncio aponta funcione bem no celular.
Vale a pena anunciar em vídeos curtos (Reels, YouTube Shorts)?
Sim, especialmente se você ainda não tem uma marca muito conhecida. O custo por visualização ainda é mais baixo do que em outros formatos, o que significa que você consegue aparecer para mais pessoas com o mesmo orçamento. É uma boa porta de entrada para quem está começando a investir em anúncios.
Copa e Eleições vão afetar meus anúncios?
Se você anunciar no segundo semestre, provavelmente sim — o custo tende a subir. A recomendação é planejar com antecedência e, se possível, adiantar campanhas de reconhecimento de marca para o primeiro semestre, quando o ambiente é mais tranquilo e os preços, menores.
O que você deve fazer agora
Se você leu até aqui, já sabe mais sobre mídia paga em 2026 do que a maioria dos donos de negócio. Três ações práticas para começar:
1. Verifique sua fatura do Meta. Veja se o acréscimo de 12,15% já está aparecendo. Se sim, reavalie se faz sentido redistributar parte do orçamento para o Google enquanto essa diferença existir.
2. Defina o papel de cada plataforma. Google para quem busca. Meta para quem ainda não te conhece. Com essa clareza, você gasta menos e converte mais.
3. Planeje o segundo semestre agora. Com Copa e Eleições, os CPMs vão subir. Quem antecipar ações de marca no primeiro semestre vai pagar menos por atenção.
Quer uma análise das suas campanhas atuais e uma recomendação personalizada para o seu negócio? Fale com a Atacama Digital.



