Se você anuncia no Instagram ou no Facebook, as eleições de 2026 vão afetar o seu bolso — mesmo que você não tenha nada a ver com política. O Fundo Eleitoral é de R$ 4,9 bilhões (Câmara dos Deputados, 2025), e parte expressiva desse dinheiro vai direto para anúncios nas redes sociais. Ou seja, candidatos e partidos passam a disputar o mesmo espaço publicitário que você usa para vender seus produtos. O resultado? Seus anúncios ficam mais caros sem que nada tenha mudado na sua campanha.
O Brasil, aliás, registra o maior crescimento publicitário entre os grandes mercados globais: 9,1% em 2026 (Dentsu, 2025). Copa do Mundo e eleições gerais no mesmo ano explicam esse salto. Para quem tem clínica, loja, restaurante ou qualquer negócio que anuncia online, entender esse calendário e se preparar com antecedência é a diferença entre manter resultados e ver o orçamento evaporar.
Rapidinha (TL;DR): As eleições 2026 vão encarecer os anúncios em todas as plataformas, sobretudo entre agosto e outubro. Nos EUA, o custo por mil visualizações subiu mais de 40% durante a eleição de 2024 (Basis Technologies, 2024). No Brasil, o efeito é potencializado porque o Google proíbe ads políticos, concentrando toda a pressão no Meta Ads. Por isso, planeje orçamento extra de 20–30% para o período e antecipe campanhas para o primeiro semestre.
O efeito cascata: por que eleições encarecem toda a mídia paga
Em 2022, candidatos brasileiros gastaram R$ 120,9 milhões em propaganda digital — um aumento de 20% em relação a 2018 (Blog da Cidadania/TSE, 2022). Para 2026, com eleições gerais envolvendo presidente, governadores, senadores e deputados, esse volume deve ser significativamente maior.
O mecanismo é simples: a demanda por espaço publicitário sobe, mas a oferta de atenção do público permanece igual. Por consequência, os leilões das plataformas ficam mais competitivos e o custo por mil visualizações (CPM) sobe para todos — inclusive para quem anuncia roupas, restaurantes ou consultorias e não tem nenhuma relação com política.
O que a eleição americana de 2024 nos mostra
Nos Estados Unidos, a eleição de 2024 movimentou quase US$ 11 bilhões em propaganda política, um recorde histórico (NBC News/AdImpact, 2024). Além disso, a fatia digital dobrou de 14% para 28% em relação a 2020, com TV conectada (streaming) captando 45% do gasto digital político (eMarketer, 2024).
O impacto nos CPMs foi direto e mensurável:

O custo dos anúncios digitais subiu mais de 40% acima da média em outubro e novembro de 2024. O custo de anúncios em vídeo, por sua vez, quase dobrou no mês da eleição (Basis Technologies, 2024). Dessa forma, mesmo anunciantes de e-commerce e SaaS viram seus custos dispararem sem que nada tivesse mudado nas suas próprias campanhas.
O Brasil tem um agravante importante: a proibição de anúncios políticos no Google concentra toda a pressão no Meta Ads, justamente onde a maioria das PMEs brasileiras anuncia.
Google proíbe, Meta concentra: o efeito funil na mídia paga
Desde maio de 2024, o Google proíbe anúncios político-eleitorais no Brasil, cumprindo resolução do TSE (Digital Watch Observatory, 2024). Isso significa que todo o orçamento de campanha digital migra para o Meta Ads — Instagram e Facebook —, que ainda permite impulsionamento político com avisos obrigatórios.
Por isso, o efeito no Brasil é assimétrico: enquanto o Google Ads segue com competição relativamente normal, o Meta Ads absorve toda a pressão do gasto político. Considerando que o CPM médio do Facebook Ads no Brasil é de US$ 3,33 (Superads, 2025–2026), esse valor deve subir consideravelmente entre agosto e outubro.
O peso extra da reforma tributária
Além da pressão eleitoral, o Meta Ads ficará mais caro em 2026 por outra razão: a reforma tributária. O repasse de PIS/Cofins e ISS deve elevar os custos em aproximadamente 12,15% (E-Commerce Brasil, 2026). Em outras palavras, há duas pressões simultâneas sobre o mesmo orçamento: a tributária, que vale o ano todo, e a eleitoral, concentrada de agosto a outubro.
Onde o eleitor busca informação política — e onde seus anúncios competem
Segundo o Datafolha (Agora RN, março de 2026), 58% dos brasileiros se informam sobre política pela TV e 54% pelas redes sociais — um empate técnico. Ou seja, o feed do Instagram que você usa para vender produtos é o mesmo onde o eleitor consome conteúdo político.

Fontes de informação política no Brasil
A divisão ideológica reforça ainda mais o problema: eleitores conservadores preferem redes sociais (61%) à TV (53%), enquanto eleitores progressistas preferem TV (66%) a redes (47%) (Correio Braziliense/Datafolha, 2026). Portanto, o impulsionamento político no Instagram e Facebook será intenso nos dois lados do espectro político, porque ambos buscam alcançar audiências que já estão nessas plataformas.
Para quem anuncia produtos e serviços, o resultado prático é competir por atenção em um feed cada vez mais poluído por conteúdo eleitoral. Mesmo quem não anuncia na TV sente o impacto, já que as redes sociais são o segundo maior canal de informação política do país.
O calendário da pressão: quando os custos sobem
O TSE definiu as datas-chave para 2026 (Republicanos/TSE, 2026). Cada marco amplifica a pressão sobre o inventário de anúncios digitais — e o impacto chega antes do que muita gente imagina:
- 16 de agosto: Início da propaganda eleitoral nas redes sociais. CPMs começam a subir.
- 28 de agosto a 1º de outubro: Horário eleitoral gratuito em rádio e TV. Atenção do público dividida.
- Setembro: Mês mais tenso. Propaganda em todos os canais ao mesmo tempo. Pico de CPM esperado.
- 4 de outubro: Primeiro turno. Maior concentração de gasto político do ano.
- 25 de outubro: Segundo turno (se houver). Pressão estendida.
TSE, IA e impulsionamento: as regras que você precisa conhecer
O TSE aprovou 14 resoluções para as eleições 2026, com destaque para regras sobre conteúdo digital (CartaCapital, 2026):
- Deepfakes são proibidas: conteúdo gerado por IA que simula candidatos é vedado.
- Rotulagem de IA obrigatória: qualquer conteúdo eleitoral que use IA precisa informar isso claramente.
- Valor pago por impulsionamento deve ser exibido: transparência sobre quanto cada candidato gasta em ads.
- Google mantém proibição de ads políticos no Brasil (Google Ads Policy, 2024).
Para anunciantes comerciais, essas regras não se aplicam diretamente. Todavia, o ambiente de fiscalização mais rígido pode tornar a moderação de anúncios mais lenta nas plataformas, afetando aprovações e campanhas durante o período eleitoral. Vale ficar atento e manter os criativos dentro das diretrizes para evitar bloqueios.
O que fazer: 5 ações práticas antes de agosto
Dado o cenário, a melhor defesa é o planejamento antecipado. Aqui estão as ações que a Atacama recomenda para proteger seu orçamento e manter os resultados:
1. Antecipe campanhas de venda para o primeiro semestre
O primeiro semestre de 2026 — antes de junho — ainda tem CPMs em condições normais. Por isso, concentre o investimento em tráfego pago agora: gere leads, vendas e reconhecimento de marca enquanto o custo está controlado. Se você tem orçamento anual fixo, redistribua: mais peso no primeiro semestre, menos no terceiro trimestre.
2. Diversifique para o Google Ads
Como o Google proíbe propaganda política, os anúncios na busca e no YouTube terão menos pressão eleitoral. Peça ao seu gestor para aumentar a parcela de Google Ads entre agosto e outubro. Além disso, o TikTok pode ser uma alternativa interessante para alcançar público jovem com custo menor nesse período.
3. Comece a construir público agora
Reimpactar quem já visitou seu site ou interagiu com seus anúncios custa muito menos do que alcançar pessoas novas — mesmo com os preços inflacionados. Quanto mais gente interagir com sua marca no primeiro semestre, menor será o impacto do aumento eleitoral nas suas vendas no segundo semestre.
4. Refine o público para os que mais compram
Em períodos de custo alto, anúncios para público muito amplo queimam orçamento rápido. Oriente o gestor a focar nos perfis que mais convertem e a controlar a frequência de exibição. Não faz sentido mostrar 10 vezes o mesmo anúncio a um custo inflacionado para alguém que já demonstrou não ter interesse.
5. Reserve 20–30% a mais de orçamento
Se você anuncia principalmente no Instagram e Facebook, reserve pelo menos 20–30% a mais para o período agosto–outubro. Sem esse colchão financeiro, o mesmo investimento vai entregar menos resultados. É muito melhor planejar o extra agora do que precisar cortar campanhas no meio de setembro.

A propaganda eleitoral nas redes sociais começa em 16 de agosto. O horário eleitoral gratuito em rádio e TV vai de 28 de agosto a 1º de outubro. O primeiro turno acontece em 4 de outubro e, caso haja segundo turno, em 25 de outubro.
A pressão mês a mês
Julho: A Copa do Mundo ainda pressiona os custos (fase final até 19 de julho). Entretanto, após o torneio, há uma breve janela de alívio de 3 a 4 semanas antes do início da propaganda eleitoral — use esse período para testar criativos e audiências com custo mais controlado.
Agosto: A partir do dia 16, candidatos começam a impulsionar conteúdo nas redes. O CPM começa a subir, porém ainda de forma moderada. É a última chance de ajustar estratégias antes do pico.
Setembro: O mês mais tenso. Propaganda eleitoral ativa em todos os canais simultaneamente. Visto que a campanha se intensifica antes do primeiro turno, os CPMs devem atingir o ponto mais alto do ano neste período.
Outubro: Pico máximo no período pré-primeiro turno (1 a 4 de outubro). Se houver segundo turno, a pressão se estende até 25 de outubro. Após isso, os CPMs caem rapidamente.
Novembro: Alívio. O inventário volta ao normal. Além disso, é o início da temporada de Black Friday — e sem a competição eleitoral, o cenário é mais favorável do que nos meses anteriores.
Perguntas frequentes
Quanto as eleições 2026 vão encarecer minha mídia paga?
Nos EUA, CPMs programáticos subiram mais de 40% durante a eleição de 2024 (Basis Technologies, 2024). No Brasil, o efeito pode ser similar ou ainda maior no Meta Ads, porque o Google proíbe ads políticos e concentra toda a pressão em uma única plataforma. Por isso, planeje um aumento de 15% a 50% nos CPMs entre agosto e outubro.
O Google Ads também fica mais caro durante eleições no Brasil?
Bem menos do que o Meta Ads, justamente porque o Google proíbe anúncios político-eleitorais no país (Google Ads Policy, 2024). Contudo, o aumento geral de demanda por atenção durante o período eleitoral pode causar uma inflação moderada também em Search e YouTube.
Quando começa o impacto eleitoral nos custos de mídia?
A propaganda eleitoral digital começa oficialmente em 16 de agosto de 2026. Entretanto, na prática, o impacto nos CPMs pode aparecer antes, já que partidos e candidatos compram espaço de anúncio com antecedência. O pico acontece em setembro e no início de outubro, especialmente nos dias que antecedem o primeiro turno (4 de outubro).
Devo parar de anunciar durante as eleições?
Não. Parar significa ceder mercado para concorrentes que continuam ativos. A estratégia correta é se adaptar: diversificar plataformas, refinar audiências, investir em remarketing e reservar orçamento extra. Afinal, seus clientes continuam comprando durante as eleições — o que muda é apenas o custo para alcançá-los.
Copa e eleições no mesmo ano: qual o impacto combinado?
O Brasil é o único grande mercado com Copa do Mundo (junho–julho) e eleições gerais (agosto–outubro) no mesmo ano. A Dentsu cita ambos como razão para o crescimento de 9,1% do investimento publicitário brasileiro em 2026 (Dentsu, 2025). Na prática, são 6 meses seguidos — de junho a novembro — de pressão sobre o espaço publicitário. Portanto, antecipe o máximo de resultados para os primeiros 5 meses do ano.
Conclusão: planejamento é o melhor investimento de 2026
O segundo semestre de 2026 vai ser mais caro para qualquer negócio que anuncia no Instagram ou Facebook. Não porque suas campanhas pioraram, mas porque o ambiente ficou mais disputado. A boa notícia é que quem se planejar agora tem vantagem competitiva real sobre quem vai reagir no susto em agosto.
Na Atacama Digital, já estamos ajudando clientes a redistribuir orçamento, construir audiências e diversificar canais antes que a pressão eleitoral chegue de vez. Se quiser entender como proteger sua mídia paga neste cenário, fale com a nossa equipe.




