Resposta direta: o planejamento da Black Friday de uma empresa de serviços começa antes do que parece, porque o cliente já está pesquisando, inclusive com IA. Do evento do Google de 22/10/2026, eu trouxe três lições para a data: aparecer cedo, ser fácil de entender para a IA e medir até a venda.
Para quem é este texto: dono ou gestor de clínica, escola, academia, lavanderia ou outra empresa de serviços que está fechando o plano para a Black Friday de 27/11/2026.
Por Eduardo Gouveia, CEO da Atacama Digital · Publicado em 29/10/2026 · Atualizado em 29/10/2026
O que o evento do Google mostrou para o planejamento da Black Friday?
Na quinta, 22/10, eu estive no evento do Google para lideranças de marketing de empresas de serviços. Lá, o Google apresentou a pesquisa “Serviços no Modo IA”, feita com a Netquest, com 4.947 brasileiros de 18 a 65 anos, em setembro e outubro de 2026. Ela não tem link público. Além disso, o Google é parte interessada, porque vende a mídia e a IA de que fala.
Mesmo assim, três ideias de lá servem para quem decide agora o que fazer na data. Antes, se você ainda está em dúvida se entra ou não, comece pela conta do texto sobre Black Friday para serviços.
Por que o planejamento da Black Friday de serviços começa antes?
No evento, uma imagem ficou comigo: o panetone na prateleira em agosto. No varejo, todo mundo vê a antecipação, já que o produto está ali. Em serviços, por outro lado, o cliente começa a pesquisar meses antes e ninguém percebe.
Os dados da Black Friday confirmam isso. O estudo da Stefanini Marketing com Gauge, Ecglobal e W3haus, divulgado pelo InfoMoney em setembro de 2026, ouviu mil consumidores. Segundo ele, 56% começam a pesquisar ofertas com mais de 30 dias de antecedência. Em 2021, eram 21%.

O Google também mediu isso. Na pesquisa Google/Offerwise de julho de 2026, com 2.000 pessoas, publicada no Think with Google em agosto, 48% já têm a lista pronta antes da temporada. Da mesma forma, 44% pesquisam preços e condições com antecedência. Só que 50% dizem não conseguir identificar quais promoções valem a pena. As duas pesquisas olham compras em geral, com muito peso de produto, mas o hábito de pesquisar cedo vale também para serviço.
Ou seja, quando a sua oferta for ao ar, parte dos clientes já escolheu. Então a comunicação precisa começar antes, com informação clara do que você vende e por quanto.
Quanto o cliente de serviços já usa IA para escolher?
Muito. Na pesquisa Google/Netquest, 70% dos consumidores de serviços usam assistente de IA toda semana ou todo dia. Inclusive, o uso varia por setor: 80,5% em classificados e imóveis, 77,6% em educação, 77,2% em tecnologia B2B e 75,0% em saúde. Em finanças, porém, cai para 63,6%, e em telecom, para 57,0%.

Para que eles usam? Segundo a mesma pesquisa, 60% comparam preços e planos, e 52% pedem recomendação do que contratar. Foi daí que veio a segunda ideia do evento: mind share e AI share. Em outras palavras, a marca precisa ser lembrada pelas pessoas e, ao mesmo tempo, fácil de ler para a IA.
Na prática, isso significa site com uma página por serviço, preço ou faixa de preço em texto e Perfil da Empresa completo. A gente detalhou o lado do consumidor no texto de ontem sobre Black Friday com IA. Já o passo a passo para ser citado está em como aparecer no ChatGPT.
O que é o AI gap das empresas?
É a distância entre usar IA e usar bem. No mesmo evento, o Google mostrou uma pesquisa com empresas brasileiras de 2026: 50% delas usam IA. Porém, a maioria ainda está no começo.

Entre as empresas que usam, 58% estão no nível básico, 27% no intermediário e 15% no avançado. O Google não divulgou link nem metodologia dessa pesquisa. Na nossa experiência com clientes, o básico costuma ser usar IA para escrever texto ou criar imagem. Já o avançado liga a IA aos dados de venda e às campanhas.
Para a Black Friday, o gap aparece num lugar simples. Se a campanha só recebe o lead como sinal, os lances inteligentes do Google, que ajustam o valor de cada clique sozinhos, aprendem a buscar mais leads, sem saber quem virou cliente. Por isso, antes de trocar de ferramenta, vale devolver para a plataforma quem comprou de verdade.
Por que lead não é o ponto final da Black Friday?
Essa foi a terceira ideia. O Google mostrou uma cadeia: lead, qualificação, venda, receita e valor do cliente ao longo do tempo. No fim, esse valor volta para as plataformas, que aprendem a achar mais gente parecida.
Não existe benchmark público de receita por lead na Black Friday para empresas de serviços no Brasil. Então a saída é medir com os seus números, desde já.

Receita por lead = receita das vendas que vieram de leads da campanha ÷ total de leads da campanha
- Primeiro, marque a origem de cada lead no CRM ou na planilha.
- Em seguida, registre quem comprou e quanto pagou.
- Então divida a receita pelo total de leads de cada campanha.
- Por fim, compare as campanhas pela receita por lead, em vez do custo por lead.
A Zetaloc, cliente da Atacama, começou com R$ 3.000 em tráfego e, dois anos mais tarde, investe 10 vezes mais. Afinal, para aumentar a verba com segurança, o dono precisa enxergar a venda que o anúncio trouxe.
Como aplicar o planejamento da Black Friday na sua empresa?
O evento organizou tudo em três frentes: conectar, converter e expandir. Na Atacama, a gente traduz assim para a data.

| Frente | O que fazer até 27/11 | Como saber se deu certo |
|---|---|---|
| Conectar | Ligar anúncios, site e CRM com a mesma origem do lead | Assim, cada venda mostra de que campanha veio |
| Converter | Oferta clara, página com preço e atendimento rápido no WhatsApp | Quantos leads viraram venda na semana |
| Expandir | Plano para o cliente novo voltar em dezembro e janeiro | Depois de 30 a 60 dias, quantos compraram de novo |
Ainda dá tempo para as três. Mas, se tiver que escolher uma, comece por conectar, porque sem isso as outras duas ficam sem medição. É a parte que a gente cuida em inbound e automações, ligando o lead ao CRM.
Perguntas frequentes
Ela tem amostra grande, mas não tem link público, e o Google é parte interessada. Por isso, aqui ela entra junto com dados de outras fontes, como o estudo da Stefanini.
Dá, desde que você comece pela base: origem do lead marcada, página da oferta com preço e atendimento pronto. Sem isso, você não sabe qual campanha vendeu.
Não para começar. Antes, vale devolver a venda real para as plataformas e organizar o site para a IA ler. Só depois faz sentido automatizar mais.
É o quanto a sua marca aparece nas respostas dos assistentes de IA, como o ChatGPT, o Gemini e o Modo IA do Google, quando o cliente pergunta sobre o seu serviço.
O que fazer agora
- Primeiro, pergunte a dois assistentes de IA quem eles indicam no seu serviço e na sua cidade.
- Em seguida, confira se cada lead que chega hoje tem a origem marcada.
- Por último, escreva o plano de retorno do cliente novo para dezembro e janeiro.
Quer montar o plano da Black Friday e do próximo ano olhando do anúncio até a receita? Conheça a assessoria estratégica da Atacama.
Eduardo Gouveia é CEO da Atacama Digital, agência Google Partner Premier fundada em 2010 em Recife.




