Visualização 3D de gráficos e métricas de dados sobre fundo escuro representando Core Web Vitals
Tecnologia19 de março de 202613 min de leitura

Core Web Vitals: a métrica que todo mundo confia está errada


Neste artigo

Alguém te mandou um print do PageSpeed Insights com nota 90+ e você achou que seu site estava rápido. Porém, segundo o HTTP Archive (Web Almanac 2025), apenas 48% das páginas mobile passam nos três Core Web Vitals ao mesmo tempo. A nota do Lighthouse (aquele teste automático que gera o score) não é o que o Google usa para ranquear seu site. Dados de laboratório e dados de campo contam histórias diferentes, e o mercado inteiro se acostumou a olhar para o número errado.

Se você contrata mídia paga e quer que o clique vire venda, a velocidade do seu site importa tanto quanto o criativo do anúncio. Este guia mostra onde estão os erros mais comuns, por que o PageSpeed Score virou teatro de performance, e o que de fato move a agulha da conversão.

Rapidinha (TL;DR): Só 48% das páginas mobile passam nos Core Web Vitals (HTTP Archive, 2025). O maior gargalo é o LCP (62% de aprovação), não o CLS que costuma receber mais atenção. O ponto de partida correto é o CrUX (Chrome UX Report, o relatório com dados reais dos visitantes), não a nota do Lighthouse.

O que são Core Web Vitals e por que mudaram?

Core Web Vitals são três métricas que o Google usa para avaliar a experiência de quem visita uma página. De fato, desde março de 2024, o INP substituiu o FID (First Input Delay, uma métrica anterior que media apenas a primeira interação do visitante) como métrica oficial (web.dev). Contudo, muitos relatórios de performance ainda trazem o FID, uma métrica que já foi aposentada.

As três métricas atuais

LCP (Largest Contentful Paint) mede o tempo até o maior elemento visível carregar. O limite é 2,5 segundos. Acima disso, o Google considera a experiência ruim.

INP (Interaction to Next Paint) mede a responsividade: quando você clica num botão ou preenche um formulário, quanto tempo o site demora para reagir? O limite é 200 milissegundos (0,2 segundo). Porque avalia todas as interações na página , não apenas a primeira, é muito mais exigente que o antigo FID.

CLS (Cumulative Layout Shift) mede a estabilidade visual. Sabe quando você está lendo uma página e o texto “pula” para baixo porque uma imagem ou um banner carregou tarde? Isso é layout shift. O limite é 0,1. “pulam” na tela enquanto a página carrega prejudicam essa métrica.

O dado que surpreende: 90% do tempo que um usuário passa numa página acontece depois do carregamento inicial (web.dev). Por isso o INP importa mais do que o FID jamais importou. Quem otimiza só o carregamento está ignorando 90% da experiência real.

Onde cada métrica falha: o raio-x por aprovação

Segundo o Web Almanac 2025, a taxa de aprovação mobile por métrica é: LCP 62%, INP 77% e CLS 81%. Em outras palavras, LCP é o gargalo — não CLS, que costuma receber mais atenção por ser visualmente óbvio.

Aprovação mobile vs desktop

INP apresenta a maior diferença entre plataformas: 77% no mobile contra 97% no desktop (HTTP Archive, 2025). Já CLS é a única métrica onde mobile (81%) supera desktop (72%). Portanto, testar apenas no desktop mascara problemas reais de responsividade.

Core Web Vitals — taxa de aprovação mobile por métrica Gráfico de barras horizontais mostrando taxa de aprovação mobile: LCP 62%, INP 77%, CLS 81%, todas as três 48%. Fonte: HTTP Archive Web Almanac 2025. Aprovação Mobile por Métrica CWV Percentual de páginas que atingem o limite “bom” — julho 2025 0% 25% 50% 75% CLS 81% INP 77% LCP 62% Todas 48% Fonte: HTTP Archive — Web Almanac 2025 (dados de julho 2025)

Por que o PageSpeed Score engana?

O PageSpeed Insights roda um teste de laboratório — com conexão simulada, sem cache, sem personalização. Por exemplo, o próprio Google documenta um caso em que o LCP de laboratório foi 3,0 segundos, enquanto o LCP de campo (CrUX) da mesma página foi 1,8 segundo (web.dev). O Google usa os dados de campo para ranking, não os de laboratório.

Três armadilhas do teste de laboratório

Cache (dados salvos no navegador). Usuários reais frequentemente acessam páginas com dados já salvos no navegador, o que acelera o carregamento. O teste de laboratório sempre roda do zero, sem nada salvo. Então o LCP real tende a ser melhor do que o Lighthouse mostra.

Personalização e A/B tests. Páginas com conteúdo dinâmico mudam para cada usuário. O laboratório testa uma versão só. Já o campo captura a experiência de todos os visitantes.

Interações reais. O INP depende de como pessoas usam a página — cliques, scrolls, formulários. Nenhum teste automatizado simula isso com precisão. Portanto, apenas dados de campo medem INP de verdade.

Aqui na Atacama Digital, já encontramos sites com nota 95 no Lighthouse que reprovavam nos Core Web Vitals reais (CrUX). No nosso processo, o CrUX é sempre o ponto de partida. A nota do PageSpeed serve como diagnóstico, não como resultado. Tratar o Lighthouse como métrica de sucesso é como mostrar velocímetro parado e dizer que o carro é rápido.

Análise do site atacama.digital no PageSpeed Insights mostrando aprovação nos Core Web Vitals: LCP 1,9s, INP 50ms, CLS 0,1 — dados reais do CrUX nos últimos 28 dias
Análise do site atacama.digital no PageSpeed Insights — dados de campo (CrUX) com aprovação nos três Core Web Vitals. É esse painel, não a nota do Lighthouse, que usamos como referência.
Lighthouse do site atacama.digital: nota 99 em Desempenho, 100 em Acessibilidade, 100 em Práticas Recomendadas, 100 em SEO — LCP 0,7s, CLS 0, TBT 50ms
Lighthouse do mesmo site (atacama.digital): nota 99, tudo verde. Dados de laboratório complementam o diagnóstico, mas não substituem o CrUX acima.

LCP: o gargalo que ninguém prioriza

LCP tem a menor taxa de aprovação mobile entre as três métricas: 62% (HTTP Archive, 2025). Embora o foco natural recaia sobre CLS (porque layout shifts são visíveis a olho nu), o LCP impacta mais diretamente a conversão. Não é coincidência que os maiores cases de performance envolvam melhorias de LCP.

Cases reais: quanto vale melhorar o LCP?

A Rakuten 24 otimizou seu LCP e alcançou 53% de aumento em receita por visitante e 33% mais conversões (web.dev). Da mesma forma, a Vodafone melhorou o LCP em 31% e obteve 8% mais vendas (web.dev).

A Lazada triplicou a velocidade do LCP e viu 16,9% mais conversões no mobile. Já a Nykaa reduziu o LCP em 40% e ganhou 28% de tráfego orgânico (web.dev). Cada caso confirma: LCP é a métrica com maior retorno sobre investimento técnico.

Impacto real da otimização de Core Web Vitals Gráfico lollipop mostrando resultados de case studies: Rakuten 24 +53% receita por visitante, Nykaa +28% tráfego orgânico, Lazada +16.9% conversão mobile, AliExpress -15% bounce rate, Vodafone +8% vendas. Fonte: web.dev case studies. Impacto Real de Otimizar Core Web Vitals Resultados documentados por empresa — métrica principal melhorada 0% 10% 20% 30% 40% 50%+ Rakuten 24 +53% Nykaa +28% Lazada +16,9% AliExpress −15% Vodafone +8% LCP otimizado LCP + Tráfego orgânico CLS + LCP Fonte: web.dev case studies — Rakuten, Vodafone, Lazada, AliExpress, Nykaa

INP: a métrica que o mercado ainda ignora

O INP substituiu o FID em março de 2024 (web.dev). Entretanto, a maioria dos relatórios de performance nem menciona essa métrica. Enquanto o FID media apenas a primeira interação, o INP avalia todas — cliques, toques, inputs de teclado ao longo da sessão inteira.

O que o INP revela que o FID escondia

Os mil maiores sites do mundo saltaram de 53% para 63% de aprovação em INP entre 2024 e 2025 (HTTP Archive, 2025). Sites menores estão ficando para trás. Por quê? Porque otimizar INP exige mexer no código do site, não apenas comprimir imagens. Scripts pesados, ferramentas de terceiros e código mal organizado são os principais vilões.

INP no desktop atinge 97% de aprovação. No mobile, cai para 77%. Essa diferença de 20 pontos percentuais é a maior entre as três métricas. Portanto, quem testa CWV apenas no desktop está medindo uma realidade que não existe para a maioria dos usuários.

Em auditorias de e-commerce que realizamos na Atacama Digital, encontramos INP acima de 400 milissegundos (o dobro do limite) em botões de “adicionar ao carrinho” — mesmo com Lighthouse acima de 90. O motivo? Scripts de terceiros (ferramentas de analytics, chatbots, rastreadores de conversão) disputando recursos do navegador. Ao remover dois scripts que não impactavam vendas, o INP caiu para menos de 150 milissegundos, dentro do limite saudável.

Quanto vale 0,1 segundo de performance?

Um estudo da Deloitte com 37 marcas e mais de 30 milhões de sessões provou que 0,1 segundo de melhoria em velocidade gera 8,4% mais conversões no varejo e 10,1% em turismo (web.dev/Deloitte). Além disso, o AOV (ticket médio) subiu 9,2% no varejo com a mesma melhoria de 0,1 segundo.

A conta que justifica o investimento

Se um e-commerce brasileiro fatura R$ 500 mil por mês e consegue reduzir o LCP em 0,3 segundo, o impacto potencial chega a 25% de aumento em conversões — com base nos dados da Deloitte. Em valores, são R$ 125 mil adicionais por mês sem gastar um real a mais em tráfego pago.

Certamente o resultado varia por contexto. Mas a direção é consistente em todos os cases documentados: performance gera receita. Nenhuma campanha de mídia compensa uma página que demora para carregar.

Evolução da aprovação CWV mobile (2023–2025) Gráfico de linha mostrando que a taxa de aprovação mobile em Core Web Vitals subiu de 36% em 2023 para 44% em 2024 e 48% em 2025. Fonte: HTTP Archive Web Almanac 2025. Aprovação CWV Mobile — Evolução Anual Páginas que passam em LCP + INP/FID + CLS simultaneamente 0% 25% 50% 75% 100% 2023 2024 2025 36% 44% 48% Fonte: HTTP Archive — Web Almanac 2023, 2024, 2025

Laptop com código de programação na tela em ambiente com iluminação azul representando otimização técnica de performance

Como saber se seu site está realmente rápido?

Dados reais de CWV ficam no Chrome UX Report (CrUX), que o Google alimenta a partir de usuários reais do Chrome. Acima de tudo, esses são os dados que influenciam o ranking. O PageSpeed Insights já exibe o CrUX no topo da página — mas é comum rolar direto para a nota do Lighthouse e ignorar o que importa.

Quatro passos para verificar a performance real

1. Abra o Search Console. Em “Experiência da página”, veja quantas URLs estão marcadas como “boas”. Se o percentual for baixo, priorize as URLs com mais tráfego.

2. Peça um relatório filtrado por Brasil. O padrão do PageSpeed é usar dados globais, mas a performance muda com a infraestrutura e a conexão local. Peça ao seu desenvolvedor ou agência um relatório CrUX filtrado por visitantes brasileiros. Afinal, é o comportamento deles que importa.

3. Teste no celular, não no computador. A maioria dos seus clientes acessa pelo celular. Testes feitos no desktop mascaram problemas reais de responsividade. Peça que os testes simulem uma conexão 4G brasileira, não a internet do escritório.

4. Monitore, não teste uma vez. Core Web Vitals flutuam com tráfego, sazonalidade e atualizações do site. Medir uma vez por trimestre não funciona. Ferramentas como DebugBear ou SpeedCurve permitem acompanhamento contínuo.

O que cobrar de quem cuida do seu site

Ao priorizar otimizações, comece pelo LCP — a métrica com menor aprovação e maior impacto em conversão. Depois INP, sobretudo em sites com interações complexas (e-commerce, SaaS). CLS vem por último: tem a maior aprovação (81%) e geralmente se resolve com width/height em imagens e ads.

Prioridades por métrica

LCP (tempo de carregamento, alvo: menos de 2,5 segundos): O LCP quase sempre é a imagem principal da página. Peça ao seu desenvolvedor que otimize essa imagem (formatos modernos, carregamento prioritário) e elimine scripts que bloqueiam a renderização. Em síntese, se a página demora para aparecer, o LCP é o primeiro suspeito.

INP (responsividade, alvo: menos de 200ms): Quando o site demora para responder a cliques e toques, o problema geralmente são scripts de terceiros (chatbots, analytics, pixels de rastreamento). Peça uma auditoria dos scripts instalados. Remover os que não impactam vendas é a correção mais rápida.

CLS (estabilidade visual, alvo: menos de 0,1): Se elementos da página “pulam” durante o carregamento, peça que todas as imagens e banners tenham dimensões definidas no código. Isso evita que o conteúdo se mova enquanto a página carrega.

A maioria dos guias trata as três métricas com peso igual. Mas os dados mostram que priorizar LCP entrega mais resultado por hora investida. Se o orçamento técnico for limitado, concentre esforço no carregamento (LCP) primeiro, responsividade (INP) depois e estabilidade (CLS) por último.

Perguntas Frequentes

Core Web Vitals afetam diretamente o ranking no Google?

Afetam, mas como um de muitos sinais. O Google confirma que CWV fazem parte da “experiência da página”, usada como fator de ranqueamento (Google Search Central). Contudo, conteúdo relevante ainda supera performance técnica. CWV funcionam como desempate entre páginas com conteúdo similar.

PageSpeed Insights é inútil então?

De modo algum. O Lighthouse identifica problemas técnicos específicos — scripts que atrasam o carregamento, imagens que não carregam sob demanda, código de estilo desnecessário. O erro está em confundir a nota com o resultado. Use o Lighthouse para diagnóstico, mas meça sucesso pelo CrUX. Segundo o web.dev, dados de lab e field podem divergir significativamente na mesma página.

INP precisa estar abaixo de 200ms mesmo em sites simples?

O limite de 200ms vale para todos os sites. No entanto, sites simples (blogs, institucionais) raramente falham nessa métrica — 97% dos desktops passam. O problema aparece em sites com JavaScript pesado: e-commerce, painéis administrativos, aplicativos web. Se o INP mobile excede o limite de 200 milissegundos, scripts de terceiros são o primeiro suspeito.

Como saber se meu site passa nos Core Web Vitals?

Abra o Google Search Console em “Experiência da página” para ver dados reais. Também é possível consultar o Chrome UX Report diretamente. O CrUX mostra a experiência de 75% dos visitantes reais. Se pelo menos 75% dos usuários tiveram uma experiência dentro dos limites, o site passa.

Quanto tempo leva para o Google reconhecer melhorias de CWV?

O CrUX coleta dados em janelas de 28 dias. Após uma melhoria, o reflexo nos dados leva de 28 a 56 dias. Por isso, otimizações feitas hoje só aparecem no Google Search Console daqui a um mês. Planeje com antecedência — Correções de última hora não funcionam para Core Web Vitals.

O que fazer agora

Core Web Vitals não são nota de PageSpeed. São dados reais de como pessoas experimentam seu site. A diferença entre o que o Lighthouse mostra e o que o CrUX registra pode ser a diferença entre teatro de performance e resultado real.

1. Abra o PageSpeed Insights do seu site e olhe para o topo da página. O painel de “dados de campo” (CrUX) é o que importa. Se as três métricas estão verdes, seu site passa. Se não, você sabe por onde começar.

2. Peça ao seu desenvolvedor ou agência um relatório de Core Web Vitals com dados reais. Não aceite só a nota do Lighthouse. Pergunte: “o LCP está abaixo de 2,5 segundos nos dados de campo?”

3. Priorize o LCP. É a métrica com menor aprovação (62%) e maior impacto em conversão. Se o site demora para carregar, nenhuma campanha de mídia compensa essa experiência.


Seu site está perdendo conversões sem você saber.

Se você investe em tráfego pago e ainda não tem clareza sobre como a performance do seu site impacta o resultado das campanhas, existe um diagnóstico esperando para ser feito. A Atacama mapeia os gargalos reais de performance — não a nota do Lighthouse — e conecta cada métrica ao seu custo em receita.

Solicite um diagnóstico de performance com a Atacama Digital. Diagnóstico em 48h. Sem compromisso.


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